Impossível não abordar esse tema após tantos ícones no esporte Imbitubense, e tantos projetos que tiveram sucesso neste anos que passaram. Mas nas mesas redondas, quadradas, ovais e empenadas sempre vem o questionando sobre a participação do profissional de Educação Física como um garimpeiro de talento.
A escola é um grande celeiro de novos atletas dizem.... e cabe ao professor de Educação Física encaminhar todos aqueles que tem talento. Simples não? Mas não é... por uma série de fatores. Os profissionais de Educação Física não gostam da visão geral da sociedade que insiste em pensar que as aulas de educação física escolar possam servir de local para detecção de talentos esportivos. Por parte dos professores existe o medo de um retrocesso, imaginar aulas apenas para fins competitivos seria uma forma de excluir o aluno que tem menos habilidade, que tem pouca força ou pouca velocidade. Esse seria apenas alguns entre muitos motivos para não assumir essa função. Temos uma dicotomia, a sociedade esperando dos profissionais de Educação Física uma posição, e a classe respondendo que essa não é sua função e ao mesmo tempo criando barreiras para quem quer realizar estas etapas. É função de quem então? Penso que abrir mão de exercer essa função seria uma perda para a profissão, pois se o PEF não fizer, alguém irá fazer, ex-atletas, comentaristas, técnicos desportivos, seu vizinho... Será possível realizar uma proposta que contemple os novos rumos da Educação Física com o esporte de rendimento? Temos que ter em mente que é impossível reproduzir o esporte de rendimento nas escolas, quem pensa dessa forma nunca trabalhou com esporte de rendimento, ou nunca deu aula em escola e em projetos esportivos. Analisando a escola como um todo, será que existe problema na professora de português que incentiva aquele aluno que escreve bem a participar de concursos de poesia? Ela esta excluindo os outros? Não gosto desse nivelamento por baixo, de preparar aula para “todos”, será que existe problema em valorizar quem é bom? Será que devemos achatar o ensino? Acho que são boas perguntas.... Obviamente que esses processos devem ser cuidadosamente pensados, mais são perfeitamente possíveis. Imaginem uma escola com um clube de ciências, onde os alunos que gostam dessa área de ensino teriam um professor a sua disposição para desenvolver projetos ligados ao estudo da astronomia, por exemplo, ou um clube de literatura para aqueles que gostam de escrever, que gostam de recitar poemas, não seria bom? É claro que seria necessário um horário extracurricular para isso. Mais quando falamos em montar uma equipe esportiva na escola.... isso não, seria a valorização do esporte de rendimento, iríamos colocar tudo que existe de ruim para os nossos alunos. Escolinhas desportivas como tínhamos e equipes esportivas em horários extracurriculares são opções para quem quer algo a mais. Será que o aluno que escreve mal vai querer participar do clube de poesias? Se ele quiser será ótimo! Será que o menos habilidoso vai querer fazer parte da equipe? Será ótimo também! Isso é esporte da escola. Se temos quantidade teremos qualidade, ou todos imaginam que Michael Phelps nadador olímpico tinha ao seu lado durante os seus primeiros treinos companheiros que hoje são recordistas mundiais? Obviamente não...... o interessante e que quando mais pessoas fizerem atividade física, quanto mais alunos participarem da aula, mais abertura teremos para abordar os temos ligados a EF....economia, política, saúde , estética, etc. Acho que entre a escola e o esporte de rendimento existe uma ponte muito grande, onde o profissional de Educação Física pode perfeitamente participar sem descaracterizar as atuais propostas da Educação Física, podemos ser mais um elemento nessa soma....ou deixar nas mãos, microfones, pés e cabeças de pessoas que não são credenciadas para a função e jogar no lixo tudo o que fizemos até então.
Nenhum comentário:
Postar um comentário